terça-feira, janeiro 26, 2010

Uma poesia antiga

Às vezes eu tento entender
Por que o errado me atrai tanto.
Fico tentando esquecer
O seu gosto, que insiste ficar grudado em minha mente
Você está na minha pele
Está sempre junto de mim
Eu sinto sempre aquela alegria boba
Que só quem tem o brilho nos olhos consegue vivenciar
Eu tenho um pedido perdido,
Um caminho mudado,
Uma terra sem chão.
Eu sei do perigo que corro,
E mesmo assim sigo em frente,
Sem medo, já entregue,
E que seja o que o Erro quiser.
Eu tenho uma saudade guardada e
Uma alma que vaga por aí.
Eu consigo, com o olhar dos deuses,
Me esconder no Divino, para me consagrar no Profano
Eu vejo o som do silêncio
E convido uma lágrima a me visitar.
A única coisa que dói mais que sua ausência
É a sua hesitação.
Para que dizemos não,
Se o sim está estampado em nossas faces.
Sou o verso imperfeito da poesia terminada.
Sou a música triste que toca no rádio.
Sou o pecado que vai te perseguir
Apenas por meio segundo
Antes de virar lembrança
Após virar hipótese
Indo e voltando,
Ilha vazia,
Inútil guerra,
Branca, alva como a luz,
Buscando dizer sempre a bobagem,
Brincadeira que sempre quer escutar.
Aqui onde a Luz e as Trevas se encaram,
Adianto o resultado,
Adivinho o ajuste.
E fujo para sempre do nosso
Pseudo-Nós.

*Janeiro/2009

Sobre uma reportagem de jornal

Ontem mesmo, enquanto tomava, preguiçosamente, meu café da manhã, e lia meu jornal, me fixei, distraído, numa notícia de que um homem havia perdido a vida. Não havia sido um crime comum, era assassinato. A sangue frio, crime horrendo, muita gente importante envolvida. A princípio poderia até ser algo normal, corriqueiro; pessoas vivem, pessoas morrem, naturalmente, acidentalmente ou criminosamente. Mas morrem. Isso pode até ser um choque, porém encaremos a realidade: um dia todos iremos morrer. Quando, como, onde, por quê, não nos cabe julgar. Apenas aceitar.
A morte é inevitável e vem disfarçada do que for para te pegar. Pode vir como uma dona de casa inocente, com carinha de anjo e alma de diabo, ou então como uma esposa de um empresário rico, de posse e classe alta.
Ela não escolhe lugar; você pode morrer no aconchego do seu lar, na sua cama, "num sono de passarinho", como diziam meus avós, e você também pode morrer como morreu esse senhor, desntro de seu carro de luxo, próximo a uma lagoa qualquer.
Foi-se o tempo em que minha mãe dizia:
-Lugar seguro mesmo é dentro de casa.
Hoje, como prova o caso do falecido da notícia de jornal, vemos que a morte pode morar sob o nosso teto. Podemos até estar alimentando a morte, vejam lá...
Pensemos também: por quem poderíamos ser encontrados? Bem, isso dependeria de diversos fatores. Poderíamos ser encontrados mortos por nossos parentes, que vendo que não nos levantávamos para trabalhar, viriam taxar-nos de preguiçosos; ou então, como ocorreu ao distinto senhor, por um vigia de construção que passava pelo local; ou ainda, nem seríamos encontrados. Apodreceríamos, e depois de muito tempo alguém reclamaria à prefeitura que o cheiro dentro da casa de fulano de tal é insuportável, e que uma atitute deve ser tomada.
Há uma pergunta em minha mente que não quer calar: por que essa senhora matou seu esposo? Diz o jornal que foi dinheiro, foi medo de perder o status, medo de ser menos do que é. Mas penso em quantas pessoas fazem isso, matar, por bem menos que dinheiro.
É, afinal, ele era apenas mais um homem. Não há motivos para se fazer muito estardalhaço. Muitos morrem por muito menos e nem ao menos são lembrados. Talvez os filhos deste senhor tenham chorado sua morte. Talvez, mesmo que falsamente, sua esposa também tenha chorado. Talvez seus amigos, colegas, parentes e, por que não, funcionários tenham chorado a sua morte. Também choro, mas não apenas por causa desse homem que morreu. Choro também pelos milhares que morreram e não tinham dinheiro suficiente para comprar uma página de jornal.
E o que me resta fazer? Terminar meu café pois, apesar de desejá-la intensamente, minha hora de morrer ainda não chegou, e tenho que trabalhar para me sustentar. E que vertam através destas palavras as minhas lágrimas e condolências a todos os recém-mortos, os antigos mortos e, mesmo que não queiramos, os futuros mortos: nós.
Que o diga aquele pomposo falecido da notícia.

*trabalho de PRTLP - Mackenzie

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Sobre a dor

Sabe qual a pior coisa que um humano pode fazer? Sentir. Sentimentos são uma merda. Todos os sentimentos levam à dor. Pense no amor. Pra que isso pode servir senão machucar? Senão para arder? Se não pra matar a alegria que antes habitava o nosso coração?

Não vi ainda um amor que tenha feito inteiramente bem a todo mundo. Digo isso por mim, pela minha visão, por tudo o que vivi até hoje.
Tenho passado dias melancólicos, e os últimos meses, senão o último ano, têm sido os mais difíceis que já vivi. Nunca pensei que me meteria de novo nesse inferno absurdo, nessa depressão maldita. Reviver a abertura da minha caixa de Pandora, depois de tanto tempo levando tudo numa boa, me irrita profundamente.
Certos sentimentos deveriam ficar trancados no fundo da nossa alma, e nunca deveriam vir à tona. A constante vontade de morrer, a loucura sondando silenciosamente, o ódio soprando aos ouvidos... Que bem isso pode fazer?
Eu ando pela casa, cômodo por cômodo, tentando encontrar algum sentido que não seja extremamente absurdo pra continuar o meu caminho. Passo os dias em coma espiritual. Vejo as pessoas passando, lentamente, minha vida escapa pelos meus dedos, e está tudo bem.
Não me importo de ter gastado outro dia sem fazer nada, sem sentir nada, só estando lá. Leio bastante, vejo televisão, cozinho, como, durmo. Não seria esse do dia perfeito pra muitos?
Para mim perfeição sempre foi utopia. É ridículo buscarmos sempre o melhor num mundo onde só há merda. Onde só há hipócritas. Não há nada de mais. Nada de valor. Só vazio.
Programo viagens, compro presentes, ando pelas ruas... Pra quê? Não adianta pra onde eu vá, o vazio também está lá. Não importa quantas coisas compre, nada preenche o vazio. Andar é desnecessário, ele segue meu ritmo.
Se ao menos houvesse uma forma menos dolorosa de morrer... Simples... Rápida... Indolor... Qualquer coisa resolveria; tudo menos morrer vivendo.
Uma dor por outra dor... A dor física resolveria a dor sentimental? Uma dor traria o esquecimento que eu tanto desejo? Qual a cura pra um coração partido, não por pessoas, mas pela vida?
Vejo que trabalho pra que outros destruam. Conquisto para que outros denigram. Qual o sentido de viver assim? As soluções só se tornam problemas, e não importa a visão otimista, essa merda nunca muda.
Pessoas falam palavras bonitas, mas o caralho que seguem o que dizem. Não fazem. Hipócritas. Enchem meu saco e minha caixa de mensagens com um monte de teoria. Estou de saco cheio delas.
Cansada, também, dessas merdas de formalidades. Têm que ir a tal lugar porque tem que formalizar. Tem que ir a outro lugar, porque os bons modos pedem. Quero de todo o meu coração, que as formalidades e os bons modos vão a puta que o pariu. Estou farta de me falarem o que é certo e o que é errado. Enfiem o certo e o errado nos seus rabos. Cansada. Só isso. Exausta emocionalmente.
Realmente demorou demais pra me estressar e me rebelar dessa forma. Demorou para o foda-se chegar e se instalar. A revolta, o ódio, o stress, a tristeza... Todos juntos, reunidos, para esmagar a minha alma.
Esse não é de longe meu texto mais conciso ou mais formal. Vejam-no como um desabafo. De alguém que grita dentro de mim, todos os dias, mas nunca é nem será ouvida.
A pior coisa que uma pessoa pode fazer? Sentir. Se não sentisse, nada disso estaria acontecendo... E se nada disso acontecesse, podia continuar como se tudo fosse normal, e como se nada fosse o meu tudo, e como se tudo o que escrevi não fosse apenas um milésimo da dor que eu carrego dentro de mim.
A maior dor é viver dentro de mim.


terça-feira, novembro 17, 2009

About Grief and Death

According to Elisabeth Kubler-Ross, when we’re dying or have suffered a catastrophic loss, we all move through five distinct stages of grief.
We go into denial because the loss is so unthinkable we can’t imagine it’s true.
We become angry with everyone, angry with survivors, angry with ourselves.
Then we bargain. We beg. We plead. We offer everything we have, we offer our souls in exchange for just one more day.
When the bargaining has failed and the anger is too hard to maintain, we fall into depression, despair, until finally we have to accept that we’ve done everything we can.
We let go.
We let go and move into acceptance.

Grey's Anatomy


About worries and future

We’re all susceptible to it: the dread and anxiety of not knowing what’s coming. It’s pointless in the end, because all the worrying and the making of plans for things that could or could not happen, it only makes things worse. So walk your dog or take a nap. Just whatever you do, stop worrying. Because the only cure for paranoia is to be here, just as you are.


Grey's Anatomy
 

quinta-feira, outubro 29, 2009

About Love and Life

Doctors spend a lot of time focused on the future, planning it, working toward it.
But at some point you start to realise your life is happening now.
Not after med school, not after residency, right now.
This is it.
It’s here.
Blink and you’ll miss it.
Did you say it?
'I love you. I don't ever want to live without you. You changed my life.'
Did you say it?
Make a plan.
Set a goal.
Work toward it, but every now and then, look around.
Drink it in 'cause this is it.
It might all be gone tomorrow.

Grey's Anatomy


quarta-feira, outubro 28, 2009

Do conceito de Platéia

Dia desses ouvi uma palavra que há muito não escutava: Platéia. Alguém que conheço vociferava a respeito de alguém que a havia irritado, e disse “porque é só que você está e é assim que você vai ficar se continuar agindo dessa forma, e no final o seu precioso Ego não vai resistir a falta de platéia...” . Isso me fez pensar um pouco a respeito do seu desabafo.

Não digo do desabafo em si (todos nós temos nosso momento pomba-gira, dá à louca e viramos o capeta na Terra; eu mesma tenho vários desses momentos); mas sobre esse trecho em particular.

Quem seria essa Platéia? Não seríamos apenas nós mesmos a nossa platéia? Ao fazer esse desabafo, não estaria ela mesma ‘atrás de uma platéia’? Diga-se de passagem, a mesma que ela condenou? Esse conceito de platéia pode ser interessante. Mas aqui apenas mostrarei a minha visão, ok?

Quando criamos uma conta no Twitter, a nova onda da era sócio-virtual, ou em um Facebook, ou em um Orkut, entre várias outras opções disponíveis, estamos em busca de um estreitamento. Queremos nos aproximar, mesmo que de um modo artificial, de outras pessoas.

Fazemos isso porque sentimos falta do contato, do alô amigo, daquele momento de troca de carinho, ou mesmo de palavras, diário. Através desses artifícios, conseguimos realizar esse contato, durante o dia, semana, ou mês.

Quando criamos esses perfis, buscamos adicionar o maior número de pessoas possível. Buscamos desde nossos amigos íntimos, companheiros de turma, colegas de trabalho, até chegarmos ao extremo de buscar pessoas que conhecemos quando estávamos na pré-escola, ou que vimos uma única vez e que, provavelmente, jamais voltaremos a ver.

Pelo que compreendi pelo trecho, esta seria a definição de platéia, na opinião dessa pessoa.

Um fato, que acredito que foi esquecido quando a pessoa escreveu isso, é que até mesmo a platéia tem o direito de assistir ou não um show. Ela pode aceitar ou negar aquilo. A vida é feita de escolhas, e até uma platéia tem a sua.

Se uma pessoa não tem interesse de ler algo, o que ela faz? Fecha o livro. Busca outro entretenimento. Sai da sala. Ela toma uma atitude, e pára aquela ação que deixou de ser-lhe prazerosa.

Quando uma platéia está insatisfeita com um espetáculo, ela se retira. Exige seu dinheiro de volta. Não volta mais àquele show. Passa a ignorar o artista. Mas não cria um número e começa a apresentá-lo junto com o artista. Não se torna parte da peça. Faz exatamente o contrário do que ela fez.

Na minha visão, a única platéia que temos, de verdade, somos nós mesmos. As outras pessoas que nos rodeiam são apenas companheiros de viagem. Estão no mesmo trem que nós, fodidos e mal pagos, esmagados no seu pedaço (porque trem no Brasil é sempre assim, 20 pessoas por m²), esperando pacientemente chegar ao destino final, mas cada um na sua, seguindo o seu caminho.

O que nós fazemos ou deixamos de fazer, apesar de nos esforçarmos para manter as aparências, só nós mesmos sabemos. Nosso show é particular, mas dissimulamos que é público.

Na música Quatro Vezes Você do Capital Inicial, eles dizem: “O que você faz quando ninguém te vê fazendo...Ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?”. Nós apenas somos nós mesmos quando não estamos expostos. Quando estamos em casa, em nossas camas. Sentados nos nossos sofás. Cantando em nossos chuveiros. Pensando, falando, agindo sozinhos. É nesse momento que nossa única platéia entra em cena. E assiste a vida real.

Quem escreve pensando nos outros, ou como suas palavras podem atingi-los, ou como pode influenciá-los, não busca uma platéia. Busca interagir com um embuste, usa o texto como um truque para escapar da realidade.

Aquele que escreve para si, sem pretensão, consciente de que a única pessoa que tem que se importar com algo é ele mesmo; o que usa o texto como uma forma de expressar o que sente, sem se importar em agradar ninguém, a não ser si mesmo, esse sim sabe que a pessoa mais importante em seu auditório jamais o abandonará.

Para a pessoa que trouxe de volta o conceito ultrapassado de platéia, o único conselho que pude dar é de que tudo isso vai passar. Sempre passa no final. Só posso desejar sorte, e continuar meu caminho.

No fim do dia... Platéia por Platéia, escolha aquela que realmente vale alguma coisa. Seu show é único, e você merece sempre mais. Protagonize sua história, enrede sua vida, e não se esqueça de se aplaudir no final.


quarta-feira, outubro 21, 2009

About crisis and traumas...

If there is a crisis you don't freeze, you move forward.
You get the rest of us to move forward, because you've seen worse.
You've survived worse and you know we'll survive too.
Doesn't matter how tough we are, trauma always leaves a scar.
It follows us home, it changes our lives, trauma messes everybody up, but maybe that's the point.
All the pain and the fear and the crap.
Maybe going through all of that is what keeps us moving forward.
It's what pushes us.
Maybe we have to get a little messed up, before we can step up.
(Grey's Anatomy quote)



Lições aprendidas.

Hoje é o dia mais importante.

Esqueça o ontem: O que está feito não muda.
Esqueça o que as pessoas pensam e falam sobre você: Sua vida passa rápido demais pra você se importar com a opinião alheia.
Ignore os olhares e comentários sarcásticos: Vêm de pessoas que são boas para julgar os outros, mas não conseguem achar sua própria alma em seus corpos.
Esqueça quem inventa histórias sobre você: Por não poderem viver suas próprias, inventam sobre os outros que correm atrás do que querem.
Guarde seu coração para si: O amor próprio realmente é o melhor amor a se sentir.
Pule, grite, dance. Faça o que quiser quando tiver vontade. Ninguém pode viver por você.
Se alguém te ofender, let it go: Guardar mágoas ou reviver certas desilusões atingem apenas você. Quem te ofendeu seguirá vivendo como se nada tivesse acontecido.
Perdoe, porém não esqueça. Perdoar não é ser trouxa. Esquecer sim. Deixar acontecer de novo, então, é impensável.
 
 

Eu sou aquela...

Que não olha mais pra trás;
Que não se arrepende de nada que fez;
Que só se arrepende do que não fez;
Que cometeu erros gigantes nos últimos meses, e aprendeu com cada um deles;
Que teve um dia de paraíso, pra ter um mês de inferno;
Que teve um mês de inferno, para ter uma vida de lembranças e esquecimentos;
Que precisou cair, pra aprender que viver não é o que você faz na queda, mas são suas atitudes depois dela;
Que aprendeu a diferenciar amigos de colegas, e já eliminou 90% deles da sua vida;
Que está prestes a eliminar os 10% restantes;
Que sabe dançar conforme a música, o que não implica abaixar a cabeça para o que não concorda;
Que ama o movimento escoteiro, mas que não o coloca mais à frente da sua família e de si própria;
Que está desempregada por opção;
Que não faz planos pro momento, e está feliz assim mesmo;
Que fala vários idiomas, tem uma boa bagagem de conhecimento, e não acha que isso é suficiente;
Que acredita que pode ser um pouquinho mais do que já é;
Que se ama gordinha do jeito que é;
Que dança sozinha quando coloca música alta;
Que desafina e finge que canta, e não tá nem aí;
Que adora escrever, mas que ultimamente anda com uma preguiça da por....;
Que já foi mc escrava, professora, telefonista, secretária, marketeira, analista de controle de qualidade da LG;
Que ainda acredita no mundo;
Que segue a filosofia da vaca, cagando e andando;
Que já teve depressão e já foi pro fim de tudo, e voltou, cada vez mais fortalecida;
Que sabe que com força de vontade, em dez minutos se faz milagres;
Que não desiste antes mesmo de começar, porque sabe que isso é coisa de gente de espírito fraco e com preguiça de lutar;
Que fala o que pensa na cara, e não precisa de rodeios nem frescuras para isso;
Que não gosta de ficar falando de futilidades, de cabelo, de dietas, do que for, porque não tem paciência pra isso;
Que cuida da própria vida e agradeceria muito que os outros fizessem o mesmo...

Eu sou aquela de quem você vai se lembrar pro resto da vida.

Eu sou Lorena Iara Marques Garcia, prazer.


E você?

Quem você é, e o que quer da vida?